Bancos mais generosos na avaliação das casas

5 Março 2010



O valor médio de avaliação bancária por metro quadrado aumentou em Janeiro, segundo o INE, o que oferece boas perspectivas.


São boas perspectivas as que se anunciam, tendo em consideração os dados recentemente divulgados pelo INE, referentes a Janeiro de 2010: o valor médio de avaliação bancária por metro quadrado aumentou muito significativamente no total do País, bem como nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.

 

No último ano, o valor médio de avaliação aumentou 4,9% no total do País, para 1189 euros por m2; na Área Metropolitana de Lisboa subiu 3,1% para 1147 euros; e na Área Metropolitana do Porto cresceu 5,0%, para 1136 euros.

 

Este aumento do preço por m2 utilizado pelos bancos para a avaliação dos imóveis para os quais concedem crédito é particularmente importante, pois demonstra que os avaliadores imobiliários acreditam que, em termos da desvalorização potencial dos imóveis, o pior já passou.

 

Além disso, esta valorização também deverá permitir aos bancos voltar a considerar a concessão de uma maior percentagem de financiamento face ao valor de avaliação, pois uma coisa é financiar um imóvel na expectativa de que ele possa desvalorizar e outra é a de que ele tenha tendência a aumentar de valor, pois isso reduz imenso o risco de perdas para os bancos na concessão do crédito à habitação.

 

Basta pensar que num empréstimo a 30 anos às taxas actuais, e assumindo uma taxa de financiamento de 80% do valor de avaliação, ao fim de um ano o cliente já terá amortizado 2,3% de capital, o que, adicionado à valorização de 4,9% do imóvel, aumenta a almofada para o banco do valor do imóvel face ao crédito em dívida de 20% para 25,5%. E ao fim de dois anos essa almofada aumenta para 30,6%.

 

Assim, à medida que os bancos vão ficando confortáveis com a situação económica, é natural que as taxas de financiamento vão aumentando progressivamente.

 

Também a percentagem de crédito à habitação malparado poderá estar a inverter, tendo descido em Dezembro de 2009 face ao mês anterior. Apesar de ainda estar a níveis extremamente elevados, é interessante notar que em apenas um mês foi possível anular as subidas que tinham ocorrido nos cinco meses anteriores, o que poderá indiciar que se estará a iniciar um ciclo de redução da taxa de incumprimento no crédito à habitação.

 

No entanto, a instabilidade gerada pela crise orçamental grega tem chamado a atenção dos investidores internacionais para a situação desafiante que Portugal vive actualmente, o que tem dado origem a que alguns bancos tenham aumentado os seus spreads no crédito à habitação. E, enquanto os bancos estiverem ocupados a reconstituir os seus rácios de capital e a não se sentirem "picados" com a concorrência, é natural que os spreads se mantenham ao nível elevado em que se encontram actualmente.

 

Fonte: DN

 

 






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