Bancos leiloam 120 casas executadas por semana

15 Março 2010



Instituições bancárias venderam quase 2000 casas em leilão. Leiloeiras estão a realizar dois leilões por semana. Cada uma leva à praça 65 casas de quem deixou de pagar o empréstimo


Os bancos estão a recorrer cada vez mais a leilões para venderem as casas executadas aos clientes que já não conseguem pagar os seus empréstimos à habitação. No ano passado, as duas únicas leiloeiras imobiliárias dedicadas a este negócio - Euro Estates e Luso-Roux - venderam quase duas mil casas, um aumento de 80% face a 2008. Neste momento, chegam a realizar-se dois leilões por semana, cada um levando à praça, em média, 65 casas com hipotecas executadas. E a taxa de sucesso também aumentou. Enquanto em 2008, das casas levadas a leilão cerca de mil não foram vendidas, no ano passado ficaram apenas por colocar 725 imóveis.

O êxito dos leilões resulta num maior número de imóveis disponibilizados pelos bancos. No total, as duas leiloeiras colocaram à venda 2700 imóveis em 2009, mais 28,5% que no ano anterior. É uma das consequências mais visíveis do aumento do incumprimento no pagamento dos empréstimos. O crédito malparado na habitação atingiu, em Janeiro deste ano, já 1,9 mil milhões de euros. O leilão surge como a única alternativa. Como refere ao DN Ana Luísa Ferro, directora da Luso-Roux, "estamos a trabalhar neste momento com todos do bancos".

E o cada vez maior recurso a leilões vai manter-se em 2010. Segundo Diogo Livério, director comercial da Euro Estates, a sua empresa vai realizar o quarto evento deste género em 2010, no próximo dia 27, tendo já marcados 26 leilões para este ano, número que certamente irá aumentar.

No caso da Luso-Roux, foram efectuados três leilões imobiliários em Fevereiro. Em Março, esta empresa está a realizar "dois por semana", como adianta Ana Luísa Ferro. Este fim-de-semana, a leiloeira efectuou um no sábado, no Porto, e outro ontem, em Lisboa.

"No nosso primeiro leilão realizado em 2010, a taxa de sucesso foi de 100%. Foi tudo vendido", refere Diogo Livério, da Euro Estates.

Quando uma família deixa de conseguir pagar o crédito à habitação, o banco tenta renegociar o empréstimo, reduzindo a prestação ou aplicando períodos de carência. No entanto, se toda e qualquer solução falha, o banco vê-se na contingência de executar a hipoteca. Estas instituições registam elevados aumentos das suas carteiras de imóveis, com os custos inerentes. O único recurso consiste vender essas casas, em leilão, mediante um forte desconto, que em muitos casos chegam a 30% sobre o preço de mercado.

Os bancos, por seu lado, como parte interessada que são, facilitam a concessão de empréstimos a quem decide comprar em leilão, isentando estes clientes de comissões por abertura de processo, por avaliação do imóvel e custos de registos provisórios, dando igualmente prioridade à apreciação dos processos iniciados em leilões.

Comprar casa desta forma pode ser uma boa oportunidade. Os bancos facilitam o processo inicial e não parecem penalizar os spreads aplicados a estes empréstimos, como adiantaram os responsáveis das duas leiloeiras.

Alguns imóveis, por seu lado, constituem verdadeiras oportunidades de negócio, podendo o potencial interessado marcar uma visita prévia à casa em questão.

Fonte:DN






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