Lisboa desce no ``ranking`` das cidades mais caras do mundo

8 Julho 2009



Lisboa ocupa o 64º lugar no ``ranking`` mundial de custo de vida, com 76,3 pontos, segundo a edição de 2009 do estudo anual ?Cost Living Survey? elaborado pela consultora Mercer. No ano passado, a capital portuguesa estava na 57ª posiç


Lisboa ocupa o 64º lugar no ``ranking`` mundial de custo de vida, com 76,3 pontos, segundo a edição de 2009 do estudo anual ?Cost Living Survey? elaborado pela consultora Mercer. No ano passado, a capital portuguesa estava na 57ª posição e em 2007 ocupava o 73º lugar desta lista.

Lisboa ficou menos cara ? assim como outras cidades europeias ? não apenas devido à diminuição real do custo de vida, mas também às fortes flutuações cambiais, como a descida da libra esterlina e a revalorização do dólar face ao euro, justifica a Mercer.

Entretanto, Moscovo deixou de ser a cidade mais cara do mundo, posição que ocupou durante três anos consecutivos, com Tóquio a saltar para o primeiro lugar. A capital russa está agora no 3º lugar do ?ranking? geral, devido à depreciação do rublo face ao dólar, mas continua a ser a cidade mais cara da Europa para os trabalhadores estrangeiros (expatriados).

Tóquio torna-se assim a cidade mais dispendiosa para os expatriados. O iene ganhou terreno face à nota verde, o que também eleva Osaka para a 2ª posição (11ª em 2008). Ainda na Ásia, Hong Kong está em quinto lugar e Singapura subiu três lugares, para o 10º lugar. A cidade mais barata da região asiática é Karachi, que surge em 140º lugar.


Genebra e Zurique são as cidades europeias mais caras

As cidades europeias que se seguem no ?ranking? das mais caras são Genebra e Zurique, em quarto e sexto lugar, subindo do oitavo e nono, respectivamente. Ainda no Velho Continente, Milão surge na 11ª posição, quando no ano passado ocupava a o 10º lugar, e Paris está na 13ª posição (12ª em 2008).

O ranking de 2009 apresenta grandes alterações face ao ano anterior, com algumas mudanças bruscas de posição, como a subida de 74 lugares de Caracas para a 15ª posição, de 47 lugares de Guangzhou, 44 lugares do Cairo e 58 de White Plains (EUA)?, salienta o estudo da Mercer.

Nas descidas, salienta-se Varsóvia (desce 75 postos, para a 113ª posição) e as cidades australianas (Melbourne cai 56 posições, Brisbane 59 e Perth 64).

Londres deixa o ``Top 10``

Londres e Oslo, que no ranking de 2008 estavam no ?top 10?, baixaram, respectivamente, 10 e 13 posições. A capital britânica passou assim da 3ª para a 16ª posição. ?A queda dos preços de arrendamento em Oslo e Londres, juntamente com a queda do valor da libra britânica e a coroa norueguesa contra o dólar americano, fizeram com que estas cidades oscilassem nos ?rankings?? diz Diogo Alarcão, ?market leader? da Mercer em Portugal.

Em contrapartida, as cidades dos Estados Unidos, China, Japão e Médio Oriente subiram no ?ranking?. Nova Iorque entra para o ?top 10?, subindo da 22ª para a 8ª posição. Pequim, actualmente em 9º lugar, sobe do 20º ocupado em 2008. O Japão tem duas cidades no ?top 10? e o Dubai subiu 32 posições até ao 20º lugar, refere o estudo.

Este estudo da Mercer cobre 143 cidades em seis continentes e mede o custo comparativo de mais de 200 produtos representativos dos padrões de consumo dos executivos, incluindo habitação, transportes, alimentação, vestuário, bens domésticos e entretenimento. O objectivo deste estudo é ?ajudar os governos e as empresas multinacionais a determinarem as compensações a atribuir nos processos de transferência de empregados para projectos internacionais. As cidades são classificadas face a Nova Iorque, à qual foi atribuída uma pontuação base de índice 100?, explica a Mercer.

?Como consequência directa da crise financeira, podemos observar flutuações significativas na maioria das moedas mundiais, o que teve um profundo impacto no ?ranking? deste ano. Muitas divisas, incluindo o euro e a libra esterlina, enfraqueceram face ao dólar americano, causando a descida de muitas cidades europeias no ?ranking??, afirma Diogo Alarcão.

?Como estão expostas a várias economias e divisas, as companhias multinacionais continuam a ser muito afectadas pela crise financeira?, acrescenta aquele responsável. ?O custo dos programas de expatriação é também muito influenciado pelas alterações cambiais e inflação. Agora que a contenção e redução de custos estão no topo das prioridades, é necessário acompanhar continuamente as mudanças nos factores que ditam os custos de vida e alojamento dos expatriados. É importante para as empresas multinacionais assegurarem que os seus pacotes de compensação são justos e alinhados com o resto do mercado?, refere.

As cidades europeias registaram das quedas mais acentuadas no ?ranking? este ano, com Varsóvia a passar do 35º para o 113º lugar. Glasgow (129º lugar) e Birmingham (125º lugar), no Reino Unido, caíram 60 e 59 lugares, respectivamente, salienta o estudo da Mercer. As cidades alemãs e espanholas caíram oito e onze lugares, e as cidades da Suécia, Ucrânia, República Checa, Roménia e Hungria caíram entre 36 e 48 lugares.

Médio Oriente sobe no ``ranking``

Enquanto a maioria das cidades europeias caiu no ?ranking?, grande parte das cidades do Médio Oriente teve a experiência contrária, diz o estudo. ?Tanto Dubai como Abu Dhabi ascenderam significativamente, mudando a sua posição de 52º para 20º, e de 65º para 26º, respectivamente. Isto está relacionado com a indexação do dirham UAE ao dólar americano. Tel Aviv continua a ser a cidade mais cara do Médio Oriente, embora seja a única da região a descer no ranking, de 14º para 17º?, salienta a Mercer.

A maioria das cidades africanas subiu no ?ranking? deste ano, apesar dos seus índices de pontuação terem descido. O Cairo sobe 44 lugares para 57º lugar, pois a libra egípcia teve um bom desempenho contra o dólar americano. A acentuada diminuição do rand sul-africano face ao dólar americano fez com que Joanesburgo tivesse descido no ranking, estando agora em último lugar.

EUA mais caros com valorização do dólar

Entretanto, dada a valorização da nota verde, todas as cidades dos Estados Unidos registaram um aumento no ?ranking? deste ano. Nova Iorque subiu de 22º para 8º lugar, Los Angeles subiu 32 lugares para 23º e Washington subiu 41 lugares para 66º.

As cidades canadianas caíram no índice de pontuação devido à quebra do dólar canadiano. A cidade com a classificação mais elevada no ?ranking?, Toronto, desceu 31 lugares para 85º. Ottawa caiu 36 lugares e Montreal desce 31 lugares.

Em 15º lugar e 74 lugares acima, em comparação com 2008, Caracas (Venezuela) é a cidade sul-americana com a mais elevada posição. São Paulo e Rio de Janeiro tiveram uma situação inversa, descendo do 25º para 72º, e 31º para 73º, respectivamente. Bogotá desceu também, de 87º para 120 lugar. Buenos Aires subiu 26 posições, atingindo a 112ª posição. ?Apesar do peso argentino ter perdido valor face ao dólar americano, a elevada taxa de inflação registada em bens e serviços causaram a Buenos Aires uma subida nos rankings?, diz Diogo Alarcão.

Na Ásia, de salientar também que a rupia indiana registou uma forte desvalorização face ao dólar, o que levou todas as cidades indianas a caírem no ?ranking?. As cidades chinesas registaram o efeito inverso, dado o fortalecimento do renminbi chinês.

Os dados desta análise foram recolhidos em Março de 2009 e as comparações que constam do relatório foram baseadas num estudo similar realizado em Março de 2008. Fonte: Jornal de Negócios




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