Venda de activos imobiliários importante fonte de capital para as empresas

23 Março 2009



À semelhança do que se verificou em 2007, o ano de 2008 registou um número relevante de operações de sale & leaseback, de acordo com os mais recentes dados divulgados pela consultora imobili


Apesar do abrandamento do mercado de investimento em imobiliário institucional na Europa em 2008, a venda de activos imobiliários por proprietários-ocupantes (vulgo operações de sale & leaseback) evidenciou um contributo importante para a actividade global de investimento ao longo do ano passado.

Mesmo com o forte decréscimo de transacções imobiliárias envolvendo património público do Estado, a venda de bens imobiliários em operações de sale & leaseback manteve a sua quota em aproximadamente 19% do volume de investimento total registado em 2008, de acordo com os mais recentes dados divulgados pela consultora imobiliária CB Richard Ellis.

À semelhança do que se verificou em 2007, o ano de 2008 registou um número relevante de operações de sale & leaseback. No final do ano transacto, os bancos italianos Sanpaolo e Unicredit venderam, cada um, activos imobiliários avaliados em mais de 800 milhões de euros. Estas transacções vieram consolidar a tendência de venda de imóveis por parte de entidades bancárias evidenciada desde o início de 2008, nomeadamente pelo Banco Santander, que colocou no mercado um portfolio de bens imobiliários e que culminou com a venda da sua sede em Madrid.

Os exemplos mencionados de operações de sale & leaseback por parte do sector bancário em 2008 não são casos isolados. Outros negócios de destaque incluem a venda de um porfolio da Caixa Galicia, de 250 milhões de euros; a venda da sede do BNP Paribas Asset Management, em Paris, também por 250 milhões de euros; e a venda de vários edifícios em Madrid e Barcelona pelo Banco Popular, num negócio que ascendeu aos 127 milhões de euros.

As grandes transacções envolvendo entidades bancárias estiveram longe de ser as únicas operações de sale & leaseback concretizadas no mercado de investimento europeu ao longo do ano passado.

No total, em 2008 ocorreram cerca de 600 negócios com contratos de sale & leaseback. O valor médio deste tipo de transacções rondou os 33 milhões de euros, um montante ligeiramente superior à média registada para o mercado como um todo, que ascendeu aos 28 milhões de euros.

Uma análise por sector imobiliário revela que este tipo de operações foi transversal a todos os segmentos, incluindo escritórios, retalho e indústria.

A dispersão geográfica foi também significativa, com transacções de sale & leaseback registadas em 20 países dos 26 países europeus analisados.

O grau de dispersão geográfica de operações de sale & leaseback tem aumentado significativamente nos últimos anos. Há dois anos atrás, os três maiores mercados com maior volume de operações deste tipo (Alemanha, Reino Unido e França) evidenciaram, em conjunto, uma quota de 70% do total de operações de sale & leaseback concretizadas. Em 2008, a quota dos três principais países com maior peso neste tipo de transacções na Europa (Alemanha, Reino Unido e Espanha) ascendeu apenas a 59%.

Ao longo do ano passado, o volume de transacções de sale & leaseback foi particularmente elevado em países como Espanha e Itália, impulsionado, sobretudo, por transacções envolvendo o sector bancário, como foi descrito anteriormente. No entanto, o mercado alemão foi aquele que registou uma maior proporção deste tipo de operações, à semelhança do que se tinha verificado nos dois últimos anos.

John Wilson, Director do Departamento de Estratégia Corporativa para a região do EMEA (Europe, Middle East and Africa) afirma: «O mercado empresarial analisa actualmente operações de sale & leaseback como uma fonte de financiamento da sua actividade operacional. O crescimento deste tipo de operações tem como base três factores: 1) O facto de as empresas necessitarem de liquidez para efectuar investimentos específicos; 2) Um número significativo de empresas empenhadas em consolidar os seus balanços e a reduzir a dependência das entidades bancárias; 3) E o facto dos investidores estarem cada vez mais atentos a oportunidades de negócios em activos imobiliários com risco reduzido e com contratos de arrendamento seguros».

Numa perspectiva futura, é provável que a concretização de operações de sale & leaseback continue a ser uma parte significativa do mercado de investimento imobiliário nacional e europeu. A crise do crédito de alto risco teve um impacto significativo na capacidade de alavancagem das empresas, quer seja por empréstimos bancários, quer seja por emissões obrigacionistas, bem como no aumento do custo de obtenção do financiamento.

Muitas empresas olharão para este tipo de operações como uma forma de captar liquidez, com o objectivo de assegurar a sua actividade empresarial.

Fonte: Casa Sapo/CBRE





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