Guia dos incentivos para as famílias instalarem painéis solares térmicos

26 Fevereiro 2009



``Triplo benefício``. Esta foi a promessa feita ontem pelo primeiro-ministro às famílias que aderirem à instalação de painéis solares térmicos. A campanha irá arrancar, em Março, nos bancos ader


Recuperando as bases da microgeração com energias renováveis (de 2007) e repetindo medidas que já utilizou como bandeira política em outras várias ocasiões, José Sócrates disse que o objectivo agora é ter 65 mil habitações com painéis solares até ao final do ano. Também foram anunciadas auditorias energéticas em 100 edifícios públicos.

Quais os benefícios de ter uma instalação de painéis solares térmicos?

O primeiro sinal positivo para as famílias que aderirem a esta tecnologia de microprodução de energia é ver a sua conta mensal baixar logo nas primeiras contas de electricidade e gás, depois da instalação. A redução média anual da factura energética é de 20%, podendo chegar aos 45%, no caso das habitações que utilizam gás butano, segundo os dados do Ministério da Economia e Inovação (MEI). Por outro lado, a compra deste tipo de equipamentos tem um benefício fiscal associado de 30% do valor do investimento, no ano da aquisição.

Como fazer para usufruir das vantagens ontem anunciadas?

A partir de Março, os consumidores interessados em instalar painéis solares térmicos devem dirigir-se aos balcões dos bancos CGD, BES e Millenium BCP. Com base num modelo ``chave na mão``, as instituições financeiras apresentam três soluções para o consumidor escolher (fornecedores de equipamento, equipas de instalação e manutenção com instaladores certificados) e crédito bancário com condições preferenciais (opcional para o consumidor, que pode escolher antes pronto pagamento). A escolha dos prestadores de serviço, pelos bancos, segue uma bateria de indicadores fixados pelo Governo (certificações oficiais, qualidade dos equipamentos, tempo de resposta, redução de preço, etc.).

Quais as vantagens deste modelo para o consumidor?

Os equipamentos custam cerca de metade, face ao preço normal de venda ao público, segundo dados do MInistério da Economia e Inovação. Esta redução é conseguida, em 20%, por via do efeito de escala (ou seja, os bancos negoceiam em bloco com os fornecedores) e, em 45%, pela comparticipação pública de 100 milhões de euros (financiada pela iniciativa do Governo ``investimento e emprego``). O MEI diz que, desta forma, o consumidor consegue uma poupança superior a duas vezes o valor que investiu, durante a vida útil do equipamento (20 anos).

Quais os efeitos positivos para a economia nacional?

O Governo traçou ontem como objectivo para 2009 a instalação de 250.000 metros quadrados (m2) de painéis solares térmicos em mais de 65.000 habitações (o que é equivalente a cerca de quatro vezes mais da área anual instalada em 2007 e 2008). Com isto, José Sócrates diz que vão ser criados cerca de 2.500 postos de trabalho: entre 100 e 150 por fornecedor na área da produção de painéis e outros equipamentos; e entre 1.800 e 2.200 nas áreas de instalação e manutenção). O investimento total estimado pelo primeiro- ministro com esta iniciativa é de 225 milhões de euros.

Quais são as oportunidades para as empresas?

Além da produção, instalação e manutenção dos painéis solares, abre-se uma outra fileira de negócio. O Governo anunciou também ontem um programa de melhoria da eficiência energética dos edifícios públicos. A primeira etapa é a realização, a partir de Março, de auditorias sistemáticas a 100 edifícios, que são grandes consumidores de energia, entre os quais universidades, hospitais ou instalações da defesa nacional. Aqui há espaço para as empresas de estudos e projectos de engenharia, fiscalização, formação e consultoria. Depois disso, o primeiro-ministro comprometeu-se a arrancar com as obras necessárias para que estes edifícios passem a cumprir regras da eficiência energética. Nesta etapa serão as empresas construtoras a terem uma nova oportunidade de negócio. Entre os edifícios já identificados para serem auditados estão a Universidade do Porto, o Ministério das FInanças e Administração Pública, em Lisboa, o Hospital da Universidade de Coimbra, o Instituto Portuário de Transportes Marítimos, em Peniche e a Base Naval do Alfeite, em Almada.



Fonte: Jornal de Negócios





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