Prestação da casa vai continuar a subir

7 Setembro 2007



O Banco Central Europeu manteve ontem a taxa de juro nos 4%. No entanto, o crédito à habitação vai continuar a subir porque a crise financeira está a puxar pela Euribor.


Os economistas acreditam não existir espaço para uma nova subida dos juros na zona euro, até Dezembro. Porém, devido à pressão vivida nos mercados financeiros, a Euribor poderá atingir, ainda este ano, os 5%, arrastando consigo um novo encarecimento das prestações mensais do crédito à habitação.
?O BCE optou por não lançar mais achas para a fogueira e contribuir para uma moderação do aumento dos juros, mas não é suficiente para travar a subida da Euribor, pressionada pela crise de liquidez vivida nos mercados de crédito?, explicou ao Diário Económico Carlos Almeida Andrade, economista-chefe do Banco Espírito Santo (BES).
Para já, a decisão do conselho de governadores do BCE teve como principal consequência travar a escalada da Euribor, que caiu ontem pela primeira vez na última semana. Na véspera, o principal indexante utilizado pelos bancos para calcular os juros do crédito à habitação atingiu os 4,8%, o valor mais elevado desde Dezembro de 2000. Porém, para quem está a pagar um empréstimo ao banco, para compra de casa, as boas notícias são limitadas, já que os analistas estimam novo agravamento dos juros do crédito à habitação. Em Agosto, e pela 23.ª vez consecutiva, a Euribor fechou em alta, induzindo a uma subida de 90 euros por mês, num empréstimo médio de 150 mil euros, a 25 anos. Feitas as contas, este movimento traduz-se num aumento de 1.080 euros por ano, na factura a pagar ao banco.
Mas se o BCE não aumentou a taxa directora e os analistas acreditam que este nível se mantém até final do ano, porque se espera um novo aumento da Euribor nos próximos meses?
?Actualmente, a Euribor não está a reflectir a taxa directora da autoridade monetária da zona euro, mas sim a falta de liquidez do mercado interbancário?, observou Paulo Pinho. É precisamente no mercado interbancário, onde as instituições financeiras emprestam dinheiro entre si e onde o conjunto dos bancos portugueses se financia para emprestar dinheiro aos seus clientes, que é formada a taxa Euribor, com base numa média aritmética.
Para o professor universitário, a subida dos juros levanta outro tipo de problema. ?Uma taxa de 4,8% é ainda historicamente baixa. Se o cliente não tem capacidade para acomodar este aumento dentro do seu orçamento, isto quer dizer que o banco emprestou dinheiro a quem não tem capacidade de endividamento?, comentou Paulo Pinho, acrescentando que, ?então, há também ?subprime? (crédito imobiliário concedido a pessoas que não têm capacidade de endividamento) em Portugal, ao contrário do que se tem afirmado?.  Para o professor universitário, a actual subida de juros é considerada normal dentro do ciclo de vida de um empréstimo de longo prazo, como o crédito para compra de casa.
Prestações mensais subiram 90 euros em Agosto
Para as famílias portuguesas, o impacto da crise do ?subprime? (mercado de crédito imobiliário de alto risco) traduz-se num encarecimento dos seus empréstimos. De acordo com os cálculos avançados pelos bancos, para um financiamento de 150 mil euros, com um prazo de 25 anos, as prestações mensais  subiram 90 euros, até ao final de Agosto. Na prática, isto quer dizer que quem vai pedir um financiamento ao banco, este mês, ou está próximo da data de revisão do contrato, já vai ter custos mais elevados. Em termos anuais, este aumento atinge os 1.080 euros. Com o estalar da crise nos mercados financeiros internacionais, em meados de Agosto, a Euribor disparou 5,3%. No final do mês, a taxa de juro a seis meses atingiu um valor médio de 4,54% ? valor mais elevado desde 2000 e que se traduz na 23.ª subida consecutiva da taxa formada no mercado interbancário. Desde o início do ano, a Euribor registou um aumento de 21,1%. E os economistas estão à espera que a Euribor continue a subir até aos 5%, até final de Dezembro, o que vai ditar novo encarecimento dos empréstimos. Até quando? ?Até quando durar a crise de liquidez do mercado interbancário?, respondem os economistas.
O reforço do ?spread? zero
Num esforço de manter o ritmo de captação de clientes no segmento do crédito à habitação, os bancos portugueses estão a reforçar as suas campanhas promocionais. O millennium bcp e o BES, por exemplo, já reforçaram as suas apostas com uma oferta de ?spread? zero. Ou seja, para contornar a subida da Euribor, estão a abdicar da sua margem de ganho no crédito para a compra de casa. Para tentar angariar novos clientes, ambos se oferecem ainda para pagar todos os custos inerentes à transferência do crédito. No caso do BCP, a transferência traduz-se numa redução de até 50% do valor da prestação mensal.

Fonte: Diário Económico




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